Vítor Sousa
Vítor Sousa nasceu no Funchal a 11 de Janeiro de 1984. Desde os primeiros passos no ensino denunciou um extremo interesse pelas letras, acedendo, com cinco anos, à primeira classe, por insistência de professores que sustentavam a exortação no facto de a criança identificar todas as letras do alfabeto. Em criança, devorava livros de aventuras, destacando-se “Os cinco”. Quando frequentava o 6º ano, em colaboração com dois colegas, protagonizou a primeira incursão pela ficção, urdindo “Uma aventura no Queen Elizabeth”, relacionado com um trabalho para a disciplina de português, a aventura perdeu-se, sem deixar rasto. Durante todo o processo educativo, até à conclusão do secundário, elege o Português como a disciplina favorita. A devoção pela Língua leva-o a adoptar a divisa pessoana - “A Minha Pátria é a Língua Portuguesa” -, guindando aquele que tinha em si “inúmeros” a grande referência literária e intelectual. Já na Universidade, cursa Psicologia durante um ano, na Universidade do Algarve, optando por regressar à Madeira, onde se encontra no derradeiro ano da licenciatura em Comunicação, Cultura e Organizações. O contacto com o professor Marcelino Castro permite-lhe conhecer a biografia de Fernando Pessoa, “Estranho Estrangeiro”, da autoria do francês Robert Brechon. A obra situa-se nos primórdios do trajecto da “emancipação”, “percurso infindo”, define o autor. A importância do “Estranho Estrangeiro” reflecte-se, também, no nome atribuído ao seu blogue (www.estrangeiros.blogspot.com), nascido em 2003, ferramenta primordial na prossecução da emancipação. “O Tricot do Tempo” compila contos redigidos durante o último ano, entre Itália e Portugal. A excruciante consciência da fugacidade do tempo, associada ao fascínio pela condição humana e à catatónica relação entre a mediocridade e a genialidade, nutrem a produção criativa. A presença incontornável de protagonistas que coabitam com “as esquinas escatológicas” é tributária do enlevo provocado pela figura do cínico grego Diógenes, confessando Vítor Sousa que é “perseguido pelo mórbido encanto” de um génio encapotado sob os andrajos de um mendigo. A taciturnidade da sua escrita, inspirada, como amostra, por um triunvirato composto por Dostoievski, Kafka e Raul Brandão, representa a ânsia de “extrair da rudeza a beleza”.
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